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Brandas e Inverneiras

Características das zonas serranas do Minho, as brandas são marcos importantes do património etnológico desta região, vestígios de um comunitarismo que pouco a pouco vai desaparecendo. A branda é um espaço de uso sazonal, com uma ocupação secundária, ligada sobretudo com os usos agrícolas e pastoris de Verão, por oposição à inverneira, tradicionalmente de cariz mais permanente. Ocupam geralmente cotas de terreno acima dos 600 metros, substancialmente mais altas que as inverneiras a que se associam e  podem ser brandas de cultivo ou brandas de gado e localizam-se no planalto ou em chãs de altitude.

São núcleos habitacionais temporários cujos terrenos são usados para a agricultura ou alimentação do gado, durante a primavera/ verão, quando essas áreas de montanha apresentam condições mais favoráveis a essas atividades humanas. Em contraposição às brandas surgem as inverneiras – núcleos habitacionais onde as populações passam o outono e inverno (daí o nome). Presentemente, nessa transumância imposta pelas condições agrestes do meio, nas aldeias que ainda mantém essa migração, as populações apenas transportam consigo o gado e alguns haveres.

Representam, sobretudo, dois modos de vida distintos mas complementares, assentes num processo comum, que é a transumância e num principio básico da vida, que é garantir o alimento e a sobrevivência humana, pelo que apesar de actualmente não terem qualquer utilização mantém o seu valor cultural e histórico reconhecido.

Branda de Stº António de Vale de Poldros

A primeira referência a Santo António de Vale de Poldros data de 1320, durante o reinado de D. Dinis, quando foram doadas terras desta branda ao capitão da Guarda Real, Paio Rodrigues Araújo, para a criação de gado cavalar. A pastorícia terá sido a primeira actividade económica desenvolvida nestas paragens, sendo o topónimo Val de Poldros condicionado por esse passado remoto, pois a forma poldro ou poldra é a designação popular da cria da égua, em vez de potro termo mais corrente.

Na branda de Santo António de Vale de Poldros existem dois tipos principais de construção: as ‘cardenhas’ e as ‘casas serranas’. As Cardenhas (abrigos de pastores) são construções com planta quadrada e paredes em fiadas de grandes pedras de granito em bruto. A cobertura vai-se construindo através da sobreposição de lajes graníticas, em camadas circulares,colocadas paralelamente com ligeiro avanço umas das outras de modo a estreitarem cada vez mais o cume que se reduz a uma pequena abertura coberta por uma laje. Algumas ‘cardenhas’ possuem dois pisos separados por grandes lajes de pedra e, neste caso, o piso superior destinava-se a habitação do pastor e no piso térreo eram recolhidos os animais. O acesso às duas entradas, delimitadas por ciclópicas padieiras e ombreiras (ou ‘tranqueiras’) faz-se por alguns degraus em grandes pedras em bruto ou toscamente afeiçoadas. As ‘cardenhas’ são, por vezes, delimitadas por muro oval baixo, em pedra seca, que encerra um espaço destinado a curral de animais (a ‘bezerreira’).

As Casas serranas são de planta rectangular e dois pisos, paredes em alvenaria de pedra seca e aparelho irregular, cobertura de duas águas com forte inclinação e revestidas a telha marselha ou de meia cana, depois de terem sido, em tempos, cobertas a colmo preso no capeado das empenas. Como aberturas dispõem de algumas pequenas janelas, a porta da corte dos animais no piso térreo, a entrada no piso sobradado para a qual se acede por alguns degraus ou por rude escadaria em pedra adossada à parede lateral.

Branda da Aveleira

Situada na entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a Branda da Aveleira, na freguesia de Gave, concelho de Melgaço, representa a tipicidade da região e o “modus vivendi” de uma época. Caracterizada por uma paisagem e um conjunto arquitectónico de enorme beleza, a aldeia é o testemunho de uma tradição agrícola e cultural de grande valor antropológico, que a torna muito especial e singular.

Nesta localidade, merece um olhar atento a Capelinha da Senhora da Guia e um conjunto de casas rústicas típicas, designadas por cardenhas.

A Branda da Aveleira, encontra­ se num “plateau” de montanha sobre o Vale Glaciar, trata-se de uma forma de ocupação humana das comunidades pastoris deste território. Os pastores da freguesia da Gave, deslocavam-se anualmente nos princípios da primavera aos altos desta montanha com a sua fazenda para aproveitar os pastos para os seus gados e a princípios do Outono regressavam aos locais fixos, onde tinham as suas casas. Aqui durante a sua sazonal permanência, foram construindo abrigos, denominados por “cardenhas” e trabalhando os seus solos conquistando terra arável à montanha, contribuíram para a modelação da paisagem.

Branda de S. Bento do Cando

Um povoado conhecido pela romaria de adoração a São Bento, São Bento do Cando é, sem dúvida, uma das mais importantes Brandas e polo de cultura Serrana ancestral.

A Capela de S. Bento do Cando,  é muito antiga, sendo talvez fundação do mosteiro de Ermelo. Este lugar altaneiro da Freguesia da Gavieira acolhia os beneditinos que passavam a pé entre a Abadia de Amares e o Mosteiro de Fiães (Melgaço). Os Monges Beneditinos terão construído aqui uma pequena ermida à qual afluía e aflui muita população. De tal forma que se tornou numa das capelas de maior romaria desta região nomeadamente por altura da Novena e festa de São Bento.

A Capela de S. Bento já tinha torreão, porque um dos dois actuais sinos tem a data de 1751. Pouco depois de 1758, erigiu-se uma irmandade, que ainda existe e já vem mencionada, em 1795, no tombo da freguesia de Soajo, ao descrever a freguesia da Gavieira, que lhe estava anexa: «no sitio ou veranda do Cando há uma capela da invocação de São Bento com irmandade e serve para nela se dizer missa, tendo os moradores capelão à sua custa ou dos devotos que se juntam nos dias vinte e um de Março e onze de Julho, dedicados ao mesmo glorioso Santo Patriarca e em outros dias do ano».

A Capela, minuciosamente descrita pelo tombo, tinha altar-mor com S. Bento do Cando, imagem muito devota, a quem concorrem em romaria nos seus dias de Março e Julho muitos devotos com ofertas, de que se fundou e cresceu a irmandade que se conserva.

O Inquérito Paroquial de 1842 limita-se a dizer que a capela de S. Bento do Cando estava “no lugar da Baranda”, cujo nome é corrupção de «Veranda», a que vulgarmente chamam Branda. A Irmandade, para promover o incremente da devoção a S. Bento, obteve do Papa Gregório XVI, em 1840, um Breve a conceder indulgência plenária aos romeiros que ali fossem a 21 de Março e a 11 de Julho e se confessassem, comungassem e cumprissem as outras condições Impostas.

A actual capela tem duas imagens de S. Bento, uma, de madeira, no altar-mor, e outra, de pedra num nicho sobre a porta principal. Continua a ser um grande centro de romagens, principalmente a 21 de Março, 10-11 de Julho e na oitava seguinte. O dia de maior concorrência é o de 10 de Julho, porque, além de especiais celebrações religiosas, se realiza uma feira”.